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1. Princípio de controle: revelação, experiência e autoridade do que está escrito

Antes da leitura formal, a conversa registra relatos sobre sonhos, alegações de revelação e experiências pessoais. Desse intercâmbio emerge um princípio hermenêutico que reaparece em praticamente toda a discussão: experiências pessoais, sonhos, impressões, fenômenos sobrenaturais e mesmo conclusões aparentemente lógicas não possuem autoridade própria; precisam ser submetidos à revelação já estabelecida.

Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 98

A leitura é imediatamente relacionada a:

Isaías 8:20

O comentário central do Instrutor principal converge para uma regra simples: uma experiência pode ser intensa, aparentemente sobrenatural, emocionalmente convincente e até conter elementos verdadeiros; isso não a autentica. O teste não é a intensidade do fenômeno, mas sua conformidade com a revelação. A experiência pessoal não deve interpretar ou corrigir a Escritura; é a Escritura que julga a experiência.

Isso também explica a preocupação demonstrada posteriormente em separar três categorias:

  1. “Está escrito” — afirmação documentalmente sustentada;
  2. inferência — conclusão logicamente extraída de textos;
  3. conjectura — possibilidade considerada, mas não revelada.

A distinção é metodologicamente importante. Uma inferência pode ser coerente ou mesmo altamente provável sem adquirir, por isso, o estatuto de uma declaração inspirada.

Lição

O sobrenatural não substitui a investigação. Quanto mais extraordinária a alegação, mais necessária se torna sua confrontação com a revelação. O estudo bíblico e o Espírito de Profecia funcionam, portanto, não apenas como fontes de conhecimento, mas como critério de falseabilidade das experiências religiosas.


2. A volta de Cristo e a viagem dos remidos

Após a abertura informal e a oração, o primeiro grande bloco escatológico desenvolve-se a partir da leitura de Eventos Finais, capítulo 19, que compila passagens de O Grande Conflito, Primeiros Escritos e Testemunhos Seletos. Essa leitura estrutura os temas que dão título ao artigo.

Eventos Finais — “Rumo ao lar!”

A leitura feita no encontro, consolidada sem as interrupções da conversa, é:

A leitura incorpora e pressupõe:

2.1. A “nuvem”, o “carro”, as rodas e as asas

Um ponto que dominou a discussão foi a descrição do meio pelo qual os remidos ascendem.

O texto fornece sucessivamente as imagens:

nuvem → carro → rodas → asas → sons → santos dentro → anjos ao redor.

Daí o Instrutor principal observa que não parece correto identificar simplesmente a “nuvem” com os próprios anjos: os anjos aparecem ao redor dela, enquanto os remidos estão dentro dela.

Durante o bate-papo, foi considerada uma compreensão fenomenológica da descrição: Ellen White descreve aquilo que vê com o vocabulário disponível a uma pessoa do século XIX. “Nuvem” seria inicialmente uma comparação visual; “carro”, uma comparação funcional; rodas e asas, elementos observados; os sons produzidos são descritos como aclamações.

A comparação moderna com uma grande nave ou veículo foi expressamente apresentada como analogia explicativa, não como terminologia inspirada.

Essa leitura despertou reservas: uma participante disse que nunca havia ouvido a interpretação do “carro” como um objeto de grandes dimensões e a recebeu com estranhamento; outra perguntou se os sete dias seriam literais. A conversa prosseguiu explorando a hipótese em diálogo com essas objeções.

Lição

Uma visão não precisa fornecer ao profeta a terminologia técnica da realidade observada. O profeta pode descrever uma realidade objetiva por analogias pertencentes ao seu repertório cognitivo.

Portanto:

realidade revelada ≠ necessariamente vocabulário técnico da realidade revelada.

Essa distinção torna-se central para a leitura posterior de Isaías, Daniel e João.


3. Linguagem profética e limites da descrição humana

Isaías 60:8

Outra tradução lida apresentou:

A discussão observa que Isaías formula uma pergunta a partir daquilo que contempla. O texto não fornece no próprio versículo uma descrição tecnológica ou ontológica exaustiva do fenômeno.

Em paralelo foi lembrado:

Apocalipse 6:14

O céu é descrito retirando-se ou enrolando-se por comparação com um pergaminho.

O princípio extraído é que a expressão “como” assinala analogia perceptiva: o profeta descreve o desconhecido mediante coisas conhecidas.

O mesmo raciocínio foi aplicado às imagens de Daniel e João:

A interpretação registrada no bate-papo é que profetas diferentes podem descrever aspectos de uma realidade celestial mediante imagens distintas porque cada um verbaliza aquilo que viu segundo sua percepção e repertório.

Lição

A linguagem profética é simultaneamente verdadeira e acomodada: verdadeira quanto ao conteúdo revelado, acomodada quanto às categorias linguísticas disponíveis ao receptor.

Isso impede dois extremos:

  • transformar toda imagem profética em mera metáfora sem referente real;
  • exigir que toda descrição visionária funcione como nomenclatura científica literal.

4. Os sete dias e o silêncio de aproximadamente meia hora

Apocalipse 8:1

O estudo relaciona a “cerca de meia hora” profética aos sete dias mencionados por Ellen White.

A discussão, porém, percebe uma dificuldade legítima: se o Céu fica silencioso durante aproximadamente meia hora profética, e se os remidos levam sete dias para subir, não seria necessário acrescentar também o tempo utilizado por Cristo e pelos anjos para descer?

Essa objeção levou à consulta da obra:

Consultoria Doutrinária, “Interpretação Profética” / “Silêncio no Céu”, p. 90

O Instrutor principal recorreu à seguinte argumentação, lida no encontro:

Para sustentar essa leitura, o Instrutor principal a relacionou a:

Mateus 24:27

E com:

Daniel 9:21–23

Gabriel recebe a ordem e chega enquanto Daniel ainda está orando.

Também foi lembrado:

Mateus 26:64

A presença do Pai, de Cristo e da hoste celestial na manifestação da segunda vinda foi usada, durante a discussão, para explicar o “silêncio” como ausência da hoste celestial durante esse acontecimento. Essa interpretação pertence à argumentação do estudo e não deve ser confundida com o texto literal de Apocalipse 8:1.

Também foi lembrado:

2 Pedro 3:8

A passagem apareceu na conversa, mas não é a base matemática direta do cálculo da meia hora profética; foi evocada durante a discussão sobre tempo e eternidade.

Um participante argumentou que “meia hora de silêncio” poderia abranger todo o período em que o Céu estivesse vazio, incluindo ida e retorno, e por isso levantou a divisão do período entre descida e subida. Também ponderou que a aproximação visível da nuvem — pequena a princípio e depois crescente — não parecia compatível com uma descida reduzida a segundos. O Instrutor principal respondeu que os sete dias são explicitamente atribuídos à ascensão dos remidos e defendeu uma descida muito rápida, com base na comparação com o relâmpago e na leitura de Consultoria Doutrinária. Outros participantes oscilaram entre as duas leituras, mantendo a tensão entre a duração da manifestação visível e a atribuição textual dos sete dias como eixo das ponderações apresentadas.

Isaías 58:13–14

Isaías 66:23

Esses textos surgiram paralelamente na discussão sobre a perpetuidade do sábado. Particularmente Isaías 66:23 apresenta a adoração futura entre um sábado e outro.

Uma inferência discutida foi que, durante a viagem de sete dias, muitos remidos que nunca conheceram o sábado em vida necessariamente atravessarão um sábado. O Instrutor principal faz, entretanto, uma ressalva metodologicamente decisiva:

a conclusão pode ser lógica, mas a frase “os salvos guardarão seu primeiro sábado durante a viagem” não está escrita dessa forma.

Essa distinção entre consequência lógica e citação inspirada foi explicitamente preservada no estudo.

Lição

Uma conclusão não se transforma em citação apenas porque decorre naturalmente de várias premissas verdadeiras.

Deve-se poder dizer:

sem dizer indevidamente:


5. Conhecimento progressivo e realidade celestial

Na discussão sobre diferentes classes de anjos são mencionados:

Isaías 6:2

Serafins são apresentados com seis asas.

Ezequiel 1:6; 10:21

Os seres viventes/querubins são apresentados com quatro asas.

A conversa então se desloca para História da Redenção, capítulo 1:

História da Redenção, cap. 1

O Instrutor principal usou a obra para discutir Cristo, Lúcifer e o conhecimento que os anjos possuíam acerca da posição do Filho.

O comentário do Instrutor principal extrai daí um princípio mais amplo: criaturas finitas recebem conhecimento progressivamente. Mesmo no Céu, conhecimento adquirido não equivale a onisciência.

As afirmações específicas feitas nessa passagem — inclusive sobre classes angelicais, Miguel, o conhecimento dos anjos acerca da divindade de Cristo e a revelação progressiva da Trindade — pertencem à exposição do Instrutor principal. Durante o bate-papo, não foi apresentada verificação textual detalhada dessas proposições; a síntese conserva o princípio discutido sem converter a elaboração em afirmação documental.

O mesmo princípio foi aplicado, durante o bate-papo, à eternidade: os remidos não alcançarão um ponto em que nada mais reste para aprender; conhecimento, amor e compreensão de Deus continuarão crescendo.

Lição

Perfeição moral não significa conhecimento infinito.

A criatura pode ser:

  • perfeita;
  • santa;
  • imortal;

e continuar sendo finita, portanto eternamente capaz de aprender.


6. Os anjos da guarda e a memória da providência divina

Maranata, 2 de novembro, p. 312 / Educação, p. 304–305

A leitura fundamenta a ideia de que, na eternidade, o salvo compreenderá intervenções providenciais que nesta vida permaneceram invisíveis.

A discussão foi associada a:

2 Reis 6:17

Deus abre os olhos do servo de Eliseu e ele percebe a realidade do exército celestial que já estava presente.

Também foi lembrado:

1 Coríntios 2:9

A grandeza daquilo que Deus preparou ultrapassa a atual capacidade humana de concepção.

Lição

O problema presente não é necessariamente ausência da ação divina, mas incapacidade de percebê-la integralmente.

A eternidade não apenas revelará coisas novas; também reinterpretará retrospectivamente a história pessoal do salvo à luz da providência de Deus.


7. Fé, provação e formação do caráter

A discussão sobre a beleza da eternidade conduz a uma questão prática: por que uma realidade tão grandiosa produz tão pouco efeito sobre a conduta presente?

Essa passagem não nasceu apenas de uma questão abstrata. Uma participante relatou dificuldade em perceber Deus como Pai amoroso por não ter experimentado carinho paterno de modo familiar, embora reconhecesse no próprio pai outras virtudes. Diante da beleza das promessas, verbalizou também a inquietação: “Mas eu vou dar conta?” A resposta imediata deslocou o mérito pessoal para a graça e o poder transformador de Deus. Esse contexto explica por que a conversa passa da descrição da eternidade para fé, perseverança e formação do caráter.

O tema foi relacionado à fé. Um participante compara a condição humana à do servo de Eliseu antes de seus olhos serem abertos: aquilo que não é percebido sensorialmente tende a parecer menos concreto.

O Instrutor principal então sintetiza uma pedagogia espiritual:

  • pedir significa enfrentar situações nas quais a fé precisa ser exercitada;
  • pedir amor pode significar conviver com pessoas difíceis;
  • pedir sabedoria pode resultar em responsabilidade que obrigue a estudar e ensinar;
  • pedir paciência e mansidão não significa receber ausência de conflito, mas situações nas quais essas virtudes precisam ser desenvolvidas.

Uma expressão usada no bate-papo foi: “mar calmo não faz bons marinheiros.”

Lição

A resposta divina a um pedido por caráter pode vir não pela remoção da dificuldade, mas pela criação das condições necessárias para que a virtude solicitada seja exercitada.


8. Coroas, estrelas e a recompensa dos salvos

Eventos Finais — “Os santos recebem coroas e harpas”

A leitura suscitou a pergunta: como alguém que fosse o último convertido poderia possuir estrelas, se não tivesse oportunidade posterior de converter outra pessoa?

A resposta procurada não foi inventada; a conversa registra a busca por textos capazes de responder. Ainda assim, nenhum trecho lido trata diretamente do caso hipotético do “último convertido”. O Instrutor principal apresentou os textos seguintes como a resposta que, segundo ele, mais se aproxima da questão.

Serviço Cristão

A localização digital identificada na revisão é SC 208.3, proveniente de Review and Herald, 25 de outubro de 1881; a “p. 90” foi a paginação mencionada oralmente no estudo.

Beneficência Social, p. 316

A interpretação articulada durante o bate-papo foi:

a salvação da pessoa pertence a Cristo; o ser humano é instrumento. Entretanto, Deus reconhece e recompensa a participação humana na obra como se o mérito fosse do próprio cooperador.

Na interpretação defendida na conversa, isso permite compreender “por vosso intermédio” de maneira mais ampla que a conversão direta. Uma pessoa pode ter:

  • pregado;
  • dado estudo;
  • levado alguém ao estudo;
  • encorajado;
  • testemunhado;
  • sustentado a obra;
  • realizado um ato de misericórdia que contribuiu para o caminho espiritual de outra pessoa.

Um participante observa que a influência pode inclusive anteceder a própria conversão consciente do instrumento.

Isso é relacionado a:

Mateus 10:42

Até a oferta de um copo de água fria feita por causa de Cristo não fica sem recompensa.

8.1. A natureza das coroas

Outro texto foi acrescentado:

“Coroas para os fiéis” / Visões do Céu 56.1

Daí o estudo destaca:

  • os anjos preparam as coroas;
  • a luz das coroas procede/reflete a luz do trono;
  • há diferenças entre as coroas;
  • essas diferenças relacionam-se ao procedimento e à obra;
  • apesar disso, todos estarão perfeitamente satisfeitos.

Lição

A recompensa celestial não estabelece uma economia de orgulho.

Quanto mais frutífero o serviço, maior a manifestação da recompensa; entretanto, o próprio serviço, a salvação das pessoas e a recompensa são finalmente atribuídos à graça de Cristo.

Portanto, a coroa simultaneamente:

reconhece a participação humana e destrói qualquer pretensão de mérito autônomo.


9. O encontro dos dois Adões

O Grande Conflito, p. 647–648

A aclamação foi relacionada a:

A cena concentra vários temas anteriores: queda, expiação, graça, ausência de mérito humano, restauração e centralidade de Cristo.

Lição

A restauração não apaga a história da redenção. Adão retorna ao Éden restaurado sabendo precisamente o custo dessa restauração.

Assim, a eternidade não é uma simples reversão amnésica ao estado anterior ao pecado; é uma realidade restaurada enriquecida pela memória permanente da graça.


10. Ressurreição das crianças

Mensagens Escolhidas, v. 2, cap. 27, “Os que choram”, p. 259–260

A leitura consolidada afirma:

O texto foi identificado no estudo como Mensagens Escolhidas, v. 2, capítulo 27, “Os que choram”, com referência à p. 260 na edição física utilizada.

A partir daí surgiram questões sobre família e relações humanas na eternidade.

Mateus 22:30 / Lucas 20:35–36

A síntese distingue, a partir das falas registradas:

  • reconhecimento da identidade e da história;
  • permanência do amor;
  • inexistência da instituição matrimonial tal como funciona atualmente;
  • possível continuidade da função materna enquanto crianças ressuscitadas completam seu desenvolvimento.

A última proposição é uma inferência registrada no bate-papo e não deve ser confundida com uma descrição textual completa da organização familiar da eternidade.

Lição

A redenção não implica perda da identidade ou das relações históricas, mas sua transformação.

O amor não é diminuído pela ausência do casamento; segundo a lógica discutida, é ampliado e purificado de exclusividade possessiva.


11. O propósito de Deus e o repovoamento do Céu

O estudo passa então a uma questão cosmológica: qual era o propósito da criação da humanidade?

Cuidado de Deus, 1º de julho

A edição digital identificada pela revisão situa a passagem em CD 183.6; durante o estudo foi mencionada “p. 171”, provavelmente correspondente a outra edição.

A afirmação é corroborada por:

A Verdade Sobre os Anjos 287.1–287.2

Os dois textos foram ligados argumentativamente:

queda dos anjos → vagas no Céu → criação/provação da família humana → remidos integrados à família celestial.

A partir daí surgem várias perguntas:

  • o casamento sempre teria sido temporário?
  • a procriação cessaria mesmo se não houvesse pecado?
  • outros mundos procriam?
  • qual seria a relação entre o projeto humano e a rebelião de Lúcifer?

O próprio diálogo classifica parte dessas questões como conjectura. Um participante observa explicitamente: “não está escrito em nenhum lugar; é uma especulação”.

Lição

Uma lacuna explicativa não concede licença para transformar plausibilidade em revelação.

A especulação pode ser intelectualmente útil quando identificada como tal; torna-se problemática quando perde sua etiqueta epistemológica.


12. Referências complementares localizadas

As menções a A Fé Pela Qual Eu Vivo, Vidas que Falam e ao SDA Bible Commentary convergem em duas passagens que puderam ser identificadas. Em vez de publicar referências isoladas, preservam-se os textos:

A Fé Pela Qual Eu Vivo, 18 de abril

Vidas que Falam, 15 de janeiro

As demais páginas lembradas sem obra, edição ou trecho identificável não foram transformadas em citações, pois isso exigiria atribuição conjectural.

Lição

A prática defendida durante o próprio estudo conduz naturalmente a um princípio bibliográfico:

não basta possuir uma citação; é preciso poder rastrear sua proveniência.

Quando uma compilação reproduz outra obra, o estudo deve, quando possível, caminhar:

compilação → obra anterior → manuscrito/artigo original.


13. Síntese das lições extraídas

13.1. O escrito precede a experiência

Sonhos, visões particulares, impressões, milagres, coincidências e experiências sobrenaturais não constituem autoridade autônoma. Sua validade precisa ser julgada pela revelação já estabelecida.

13.2. O texto deve ser separado da interpretação do texto

Uma das melhores práticas que emerge do próprio diálogo é perguntar continuamente:

Não para impedir raciocínio, mas para classificá-lo corretamente.

Pode haver:

texto → inferência → hipótese → conjectura.

O erro começa quando essas categorias são confundidas.

13.3. Uma inferência correta continua sendo uma inferência

O exemplo do sábado durante os sete dias é paradigmático: várias premissas podem tornar uma conclusão muito plausível; isso ainda não autoriza atribuir a Ellen White uma frase que ela não escreveu.

13.4. A linguagem profética descreve o transcendente por analogia

“Nuvem”, “carro”, “rodas”, “asas”, “rio de fogo”, “mar de vidro”, “pergaminho” e “pombas” demonstram a necessidade de considerar a relação entre:

realidade contemplada → percepção do profeta → repertório linguístico → descrição transmitida.

A fidelidade da revelação não exige vocabulário tecnológico moderno.

13.5. A comparação de traduções é ferramenta hermenêutica

A discussão de Isaías 60:8 demonstra que traduções diferentes podem revelar nuances que uma única versão obscurece. Compará-las não substitui o texto original, mas amplia a percepção semântica e ajuda a localizar onde uma interpretação depende da tradução.

13.6. O conhecimento da criatura permanece progressivo

Santidade e perfeição não equivalem a onisciência. A criatura continuará aprendendo mesmo na eternidade.

A eternidade, portanto, não representa estagnação cognitiva, mas crescimento ilimitado diante de um Deus inesgotável.

13.7. A redenção é restauração com memória

Adão retorna ao Éden, mas retorna conhecendo a queda e contemplando no corpo de Cristo os sinais do preço de sua redenção.

A restauração não simplesmente apaga a história: ela transforma a história do pecado em testemunho permanente da graça.

13.8. A providência hoje invisível será compreendida

A conversa com o anjo da guarda representa uma futura leitura retrospectiva da vida. Muitos acontecimentos aparentemente ordinários, acidentais ou incompreensíveis poderão ser compreendidos dentro de uma rede de providência que atualmente permanece oculta.

13.9. A fé é formada pela prática

Pedir fé, paciência, amor ou sabedoria não implica necessariamente receber conforto. Pode significar receber precisamente as circunstâncias nas quais aquela virtude precisa ser desenvolvida.

A escola de Cristo não é apenas informativa; é formativa.

13.10. A missão é cooperativa, mas o mérito é de Cristo

O salvo pode participar real e significativamente da salvação de outros; essa participação pode inclusive assumir formas indiretas.

Contudo:

Cristo salva → o ser humano coopera → Deus reconhece a cooperação → Cristo recompensa.

Assim, a recompensa é real sem transformar a salvação em mérito humano.

13.11. Nenhuma contribuição fiel é necessariamente irrelevante

O princípio de Mateus 10:42, associado às coroas e estrelas, amplia o conceito de missão. Nem toda influência salvadora assume a forma de pregação pública ou estudo bíblico formal.

Um gesto, presença, palavra, convite, exemplo ou serviço pode integrar uma cadeia causal cujo resultado final somente Deus conhece.

13.12. Diferença de recompensa não significa desigualdade de felicidade

As coroas diferem, mas todos estão perfeitamente satisfeitos.

Consequentemente, a recompensa celestial pode reconhecer histórias distintas de serviço sem produzir competição, inveja ou hierarquia de valor pessoal.

13.13. A escatologia deve produzir conduta presente

O objetivo prático da leitura não é satisfazer curiosidade sobre veículos celestiais, asas, coroas, viagens ou outros mundos. Esses temas funcionam como concretização da esperança.

A pergunta final não é simplesmente:

mas:

13.14. Estudar exige rastreabilidade

A conversa repetidamente procura livros, capítulos, páginas, traduções e fontes anteriores.

Esse procedimento deve ser preservado e aprofundado:

afirmação → referência → localização → fonte anterior → contexto → comparação.

Quanto mais importante a conclusão doutrinária, menor deve ser a dependência de citações de memória.

13.15. Saber dizer “não sabemos” é parte do método

Vários pontos permaneceram sem resposta: detalhes do carro/nuvem, dinâmica completa dos sete dias, condições dos outros mundos, casamento e procriação no plano original, entre outros.

Em vez de preencher automaticamente essas lacunas, o estudo fornece uma regra mais segura:

Pode-se continuar refletindo — mas daí em diante a reflexão deve permanecer identificada como reflexão.


Conclusão

A unidade do estudo não está simplesmente nos diversos temas escatológicos abordados, mas no método que emerge da própria discussão.

Primeiro se lê. Depois se compara. Em seguida se procura a referência. Textos paralelos são colocados lado a lado. Inferências são permitidas e até estimuladas, porém devem continuar identificadas como inferências. Quando a documentação não alcança determinado ponto, a conclusão deve conservar a mesma limitação.

O resultado é uma forma cumulativa de estudo:

revelação explícita → textos paralelos → contexto → convergência → inferência controlada → aplicação espiritual.

Por esse método, textos diferentes podem ser empregados em paralelo para corroborar uma conclusão sem serem artificialmente fundidos em uma única “citação”. A evolução da argumentação permanece fluida, mas sua rastreabilidade não se perde.

A lição metodológica talvez seja a mais abrangente de todo o encontro:


Referências

Nenhuma referência identificada na revisão foi excluída desta síntese. As localizações incompletas permanecem explicitamente qualificadas, sem preenchimento conjectural.

  1. WHITE, Ellen G. Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 98 — falsos sonhos e visões. 

  2. Bíblia, Isaías 8:20. 

  3. WHITE, Ellen G. Eventos Finais, cap. 19 — “Rumo ao lar!”. 

  4. WHITE, Ellen G. Primeiros Escritos, p. 16 e 35 — sete dias, nuvem/carro, rodas e asas. 

  5. Bíblia, 1 Coríntios 15:52. 

  6. Bíblia, Mateus 24:31; 1 Tessalonicenses 4:17.  2

  7. Bíblia, Isaías 60:8; duas traduções foram lidas no bate-papo. 

  8. Bíblia, Apocalipse 6:14. 

  9. Bíblia, Daniel 7:10. 

  10. Bíblia, Apocalipse 15:2; cf. 4:6. 

  11. Bíblia, Apocalipse 8:1. 

  12. Consultoria Doutrinária. Casa Publicadora Brasileira, 1ª ed., 1979, “Interpretação Profética” / “Silêncio no Céu”, p. 90 conforme a edição utilizada. 

  13. Bíblia, Mateus 24:27. 

  14. Bíblia, Daniel 9:21–23. 

  15. Bíblia, Mateus 26:64. 

  16. Bíblia, 2 Pedro 3:8; cf. Salmo 90:4. 

  17. Bíblia, Isaías 58, especialmente 58:13–14. 

  18. Bíblia, Isaías 66:23. 

  19. Bíblia, Isaías 6:2. 

  20. Bíblia, Ezequiel 1:6; 10:21. 

  21. WHITE, Ellen G. História da Redenção, cap. 1 — Cristo, Lúcifer e os anjos. 

  22. WHITE, Ellen G. Maranata, 2 de novembro, p. 312; Educação, p. 304–305 — anjo da guarda. 

  23. Bíblia, 2 Reis 6:17. 

  24. Bíblia, 1 Coríntios 2:9. 

  25. WHITE, Ellen G. Eventos Finais — “Os santos recebem coroas e harpas”. 

  26. WHITE, Ellen G. Serviço Cristão, SC 208.3 — cada alma salva como estrela na coroa de Jesus. 

  27. WHITE, Ellen G. Beneficência Social, p. 316 — recompensa como se os méritos fossem nossos. 

  28. Bíblia, Mateus 10:42. 

  29. WHITE, Ellen G. “Coroas para os fiéis”; também em Visões do Céu 56.1. 

  30. WHITE, Ellen G. O Grande Conflito, p. 647–648 — encontro dos dois Adões. 

  31. Bíblia, Apocalipse 5:12. 

  32. WHITE, Ellen G. Mensagens Escolhidas, v. 2, cap. 27, “Os que choram”, p. 259–260 — crianças ressuscitadas. 

  33. Bíblia, Mateus 22:30; Lucas 20:35–36.  2

  34. WHITE, Ellen G. Cuidado de Deus, 1º de julho, CD 183.6 — repovoar o Céu; a p. 171 foi mencionada oralmente e pode corresponder a outra edição. 

  35. WHITE, Ellen G. A Verdade Sobre os Anjos 287.1–287.2 — vagas dos anjos caídos. 

  36. WHITE, Ellen G. A Fé Pela Qual Eu Vivo, 18 de abril, FQV 111.2; fonte anterior: SDA Bible Commentary, v. 7, p. 948. 

  37. WHITE, Ellen G. Vidas que Falam, “Engano que custou caro”, 15 de janeiro.