Devaneios
Penso, logo Existo
O renascentismo e iluminismo foram entre muitos outros, os principais agentes a proporcionar que a “filosofia” da “era das luzes” e “era das trevas” perdurasse por anos a fio. Muito embora hoje, distantes dos fatos, existam alguns que preguem uma Idade Média sem um mergulho profundo à obscuridade e ignorância1, abster-se dos fatos, porém, propondo que não houve qualquer tipo de declínio ou limitação imposta pelo agente dominante da época através de métodos como crendice, tortura, encarceramento e condenação2 – que em alguns casos era condenação à morte3 – para coagir, erradicar e limitar pensamentos que o contradissessem, como no caso de Galileu Galilei, é um extremo que não reflete a realidade456 e é tão prejudicial e fictício7 como qualquer mito. Mas é neste tempo conturbado8 advindo da Idade Média, preconceituosamente1 (até certo ponto) pintado pelos intelectuais da época como “tempo de ignorância e superstição”9 onde os dogmas e crendices se sobrepunham ao racionalismo e experiência pessoal1, e cultivava um crescente declínio cultural10 – não é à toa a denominação desse período por alguns intelectuais de “idade das trevas” e a existência de inúmeras crenças populares, muitas das quais, ainda acreditadas hoje11 – perdido entre tantas teorias, questionando-se sobre tudo, é que o renomado filósofo Descartes expressa o pensamento supra.
A Realidade
O que é real? O que é verdade? Às vezes parece que todas as alternativas demonstram verdade, e noutras não há alternativa. Como distinguir então? E se tudo em que se acredita é irreal? E se o que é presenciado, sentido e até mesmo cientificamente provado for apenas uma mera ilusão? E se nada é o que parece, e como numa ficção futurista, todos estivessem desde sempre, presos à Matrix?
Ora, quem pode assegurar que (…) não haja nenhuma terra, nenhum céu, nenhum corpo extenso, nenhuma figura, nenhuma grandeza, nenhum lugar e que, não obstante, eu tenha o sentimento de todas essas coisas … E, mesmo, (…) que eu me engane todas as vezes em que faço a adição de dois mais três, ou em que enumero os lados de um quadrado, ou faço outra coisa que se possa imaginar ainda mais fácil?
— Descartes12
Foi em meio a tantas perguntas12, questionando a própria existência13, que Descartes concluiu a primeira certeza: “duvido, logo existo”, e como duvidar é um modo de pensar então: “Cogito ergo sum”, em português: “Penso, logo existo”. Ele não poderia questionar que estivesse duvidando, pois assim ele simplesmente confirmaria que estava duvidando. A existência de pensamento sobre a própria existência, prova em si, a existência de um “eu” para fazer o pensamento. Na verdade Descartes não foi o único a expor esta ideia, filósofos como Platão, Aristóteles e Parmênides14 também esboçaram pensamentos semelhantes:
… estamos conscientes de que percebemos, e quando pensamos, estamos conscientes de que nós pensamos, e estar conscientes de que estamos percebendo ou pensando é estar consciente de que existimos
— Aristóteles em Ética a Nicômaco
Os humanos da recém-inaugurada idade moderna “partiram” desta premissa e galgaram o desconhecido em busca de novas verdades, questionando, repensando e provando. Surge então o que hoje é denominado “método científico”15
Convicções
O dicionário define “convicção” como “certeza” e associa o substantivo “crença”16 à convicção como um sinônimo ao defini-la como “convicção íntima”171819. Exemplificando, aquele que é convicto, crê; da mesma forma, o que crê, é convicto. Se o indivíduo crê, ou seja é convicto, ele tem uma crença20, uma convicção. Convicção é algo que se tem, embora conceitualmente intangível. Neste artigo “convicção” será melhor analisada, mas por ora, conforme definição do dicionário, pode-se concluir convicção como:
- Certeza;
- Crença;
- Opinião21;
- “Ideia na qual se acredita e portanto se tem como certa.”
Em termos práticos, convicção é o resultado natural do pensamento humano2223. Mas humanos pensam? De fato todos pensam, talvez não da forma como deveriam, da forma correta, se é que existe uma forma correta. Mas pensam! Baseado no conhecimento adquirido até o presente, formam-se convicções sobre o que é real e o que não é, sobre o que é verdade e o que é falso. Independentemente do grau e profundidade do conhecimento adquirido, é sobre ele22232425, que se baseiam todos os princípios, crenças e convicções.
Conhecimento, a base das convicções
Não conhecemos porque cremos, mas sim, cremos porque conhecemos. Não é da convicção que se obtém conhecimento, mas do conhecimento é que se forma convicção (crença). Para crer em “algo” (ser convicto de “algo”), é necessário antes ter conhecimento sobre “algo”. É impossível extrair conhecimento de uma crença, e é impossível crer em algo do qual não se tem conhecimento. Então, na história da “origem”, primeiro vem o conhecimento, e depois, baseado neste conhecimento, a convicção. A convicção (crença) nada mais é que o resultado natural da reflexão do conhecimento2223.
Tome como exemplo um homem que está viajando, e em sua viagem passa, sem saber, por um local onde é costume construírem fachadas de restaurantes beirando a estrada – não cabe aqui o motivo da construção dessas fachadas, mas o fato de serem construídas. Este homem, ao passar pela estrada verá, o que para ele, são restaurantes, simplesmente porque ele possui conhecimento obtido através de sua experiência anterior, da aparência de um restaurante, e também porque pode ler perfeitamente os letreiros beirando a estrada com os dizeres “restaurantes”. O homem adquiriu um conhecimento – ele vê o que parece ser vários restaurantes – e está convicto disso (crê). Coincidentemente entre estas dezenas de fachadas de restaurantes, existe um que é real, onde ele por obra do acaso estaciona e entra. Ao entrar confirma ainda mais o conhecimento anteriormente obtido: ele realmente vê um verdadeiro restaurante.
Perceba neste exemplo que o homem possui uma convicção (crença), baseada em conhecimento factual, entretanto esta crença é incorreta. Não é a verdade! O único motivo para ele crer que são restaurantes é porque tem evidências de que são, e nada que o leve a duvidar desta certeza. Ele não possui qualquer evidência – e neste caso evidência seria conhecimento – de que o que ele vê não é real. Perceba, que ele crê porque tem conhecimento – mesmo que questionável – e não o contrário. Crer sem conhecimento é impossível2223.
Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância
— Sócrates
É neste ponto que Sócrates é certeiro ao classificar o bem e o mal, relacionando-os ao saber e à ignorância respectivamente, uma vez que é sobre o conhecimento adquirido que os humanos definem suas convicções. Sem conhecimento não é possível crer em qualquer coisa. Assim, conhecimento, bem como o grau e profundidade do mesmo, passa a ser essencial para formação de corretas convicções. Conhecimento superficial ou baseado em leitura unilateral ou equivocada de evidência(s) leva à formação de falsas convicções. Mas aí surge o problema…
Conhecimento Relativo
Todo conhecimento humano é relativo. Cada subida prepara a queda proporcional. Cada fossa abre espaço para a altura equivalente. No final da estrada estamos no mesmo ponto de onde saímos, no zero, no nada.
A relatividade é um conceito amplo, antigo26 e cientificamente verificável272829 haja vista a Teoria da relatividade de Albert Einstein que demonstra a aplicabilidade à física, matemática e portanto ao cosmo – embora notadamente não comprovada. Filósofos e cientistas como Galileu26 e Protágoras já esboçaram esta teoria:
O homem é a medida de todas as coisas.
Existem muitas alegorias que tentam ilustrar a relatividade. Uma delas, simplória, mas o suficiente para o caso, considera a existência de dois observadores. Um deles encontra-se na lua (B), enquanto o outro na terra (A). Do ponto de vista do observador “B”, a terra gira em torno da lua, e do ponto de vista do observador “A”, é a lua que gira em torno da terra. Ambos tiram sua conclusão em evidências verificáveis. Qualquer um pode olhar ao céu e observar a evidência diante de seus olhos, e diante destas evidências ambos estão corretos. Neste caso o conhecimento é relativo à perspectiva do observador e ao método utilizado. Entretanto o conhecimento obtido através da perspectiva do observador limita a compreensão do todo.



Este exemplo, bem como o “das fachadas de restaurantes”, demonstram a relatividade do conhecimento humano indicando também a fragilidade humana na percepção do todo, o que prejudica notoriamente suas convicções. Por isso talvez, nenhum dos pontos, relativismo ou absolutismo, está correto, mas possivelmente um “convergencialismo“.
Conhecimento Absoluto
… [algo] não depende, para sua existência, da minha atual percepção do mesmo
Devido à verificabilidade do “conhecimento relativo”, existe uma enorme controvérsia entre a existência ou não de um “conhecimento absoluto”, aquele conhecimento que não depende do observador, reflexo exato da realidade. Mas no final, é racional concluir que existe um “conhecimento absoluto”, que independentemente do conhecimento humano (relativo), continuará a ser absoluto. A percepção humana do “conhecimento absoluto” não o mudará, e tampouco o “conhecimento relativo” tornar-se-á absoluto pela convicção nele. Não há nada que a convicção humana faça para mudar a realidade. A lua continuará girando em torno da terra, mesmo que para o observador “B”, da ilustração anterior, seja que a “terra gira em torno da lua”, convicção esta concluída com base no conhecimento relativo verificável. Da mesma forma, as fachadas de restaurantes beirando a estrada – do exemplo anterior – não se transmutarão em verdadeiros restaurantes simplesmente porque o observador assim crê. A realidade é o que é, independente do “conhecimento” e convicção do ser humano (observador).
A falibilidade do Conhecimento Humano
Todo mundo tem direito à sua própria opinião, mas não aos seus próprios fatos.
Da mesma forma que a percepção humana não muda ou desvirtua o “conhecimento absoluto”, o mesmo, não invalidará necessariamente o “conhecimento relativo” obtido da perspectiva humana, já que há possibilidade de que a perspectiva humana e o método utilizado traduzam um conhecimento relativo que reflita com exatidão pelo menos uma fração do “conhecimento absoluto”.
Entretanto é impossível ao homem saber, para além do questionamento e independentemente do método ou da perspectiva, se determinado conhecimento é absoluto, uma vez que o conhecimento é ilimitado e a capacidade cerebral humana é limitada33 – limite este ainda desconhecido33. “Colocar” o conhecimento infinito em um recipiente (cérebro) finito34 é irracional, e traduz a impossibilidade humana de compreender a totalidade do conhecimento35. Além disso, uma percepção não relativista exigiria do homem extrapolar sua própria existência a fim de perceber “o todo” de forma impessoal.
É com o que o biólogo britânico nascido no Brasil e ganhador do Prêmio Nobel, Peter Brian Medawar, parece concordar ao declarar: “Os limites da ciência transparecem na sua incapacidade de responder a perguntas básicas, como as que fazem as crianças, perguntas sobre as primeiras e as últimas coisas: ‘Como tudo começou?’, ‘Porque estamos aqui?’, ‘Qual o sentido da existência?’”36, e ele não está sozinho, uma vez que Francis Collins, geneticista diretor do Projeto Genoma Humano e responsável pelo mapeamento do DNA humano, afirmou:
A ciência é impotente para responder a perguntas fundamentais. Francis Collins
Portanto qualquer convicção formada a partir de conhecimento parcial humano e lida a partir da estreita lente humana – adiante explicado – resultará definitivamente em convicções incoerentes, polêmicas e possivelmente falsas. Resta apenas a crença efêmera de que a percepção e os métodos utilizados reflitam, em algum momento, uma fração do “conhecimento absoluto”.
A forma mais rápida de um cientista desacreditar a si, e à sua profissão, é declarar audaciosamente (sobretudo quando não há necessidade), que a ciência sabe, ou um dia saberá, as respostas de todas as perguntas da vida. E que são irrelevantes as perguntas que não podem ser respondidas cientificamente, ou pseudo-perguntas feitas por ignorantes e respondidas por crédulos. Peter Brian Medawar, Conselhos a um jovem cientista
Conhecimento VS Verdade
Muitas vezes conhecimento e verdade podem ser confundidos, entretanto conhecimento não é necessariamente verdade. Para compreender melhor, o dicionário lança luz a este conceito ao definir verdade da seguinte forma:
- Conformidade com o real; exatidão, realidade: a verdade do ocorrido;
- Coisa verdadeira ou certa: A verdade foi escamoteada por todos.
- Princípio certo: A maioria das doutrinas políticas apresenta erros e verdades.
- Representação fiel de alguma coisa da natureza: Há verdade neste quadro.
— Dicionário Aurélio37
O Conhecimento ≠ Verdade
A definição que o dicionário Aurélio dá para o substantivo “verdade” é esclarecedora. Um conhecimento ou convicção que não reflete exatamente a realidade, não pode ser considerado verdade. É impossível existir “verdade relativa”, uma vez que por definição verdade é a exata realidade, do contrário não seria verdade. Perceba o paradoxo de uma “verdade relativa”. Racionalizando, uma “verdade relativa” se autoaniquila, afinal seria isto – “verdade relativa” – uma verdade ou também é relativo? Verdade é um conceito absoluto38. Se o indivíduo tem conhecimento ou convicção de “algo” que não é a realidade em si, então não é verdade!
O conhecimento e a convicção do observador (B) do exemplo da terra e da lua anterior não é uma verdade, e muito menos uma “verdade relativa”. Pode até ser um “conhecimento relativo”, uma vez que o conhecimento do observador é relativo à sua percepção, mas por definição não é uma verdade, e sim uma mentira, pois não reflete a realidade com exatidão. A verdade não é condicionada, influenciada ou dependente de convicção ou percepção humana, ela está além. Verdade é verdade e pronto. Qualquer “coisa” diferente, é mentira. Mesmo que um dado indivíduo considere tal convicção como verdade, a consideração do mesmo não influenciará o estado da verdade:
O que é absolutamente verdade é sempre correto, em todos os lugares, o tempo todo, em qualquer condição. Capacidade de uma entidade de discernir estas coisas é irrelevante para o estado da verdade
Conhecimento RELATIVO é DIFERENTE da VERDADE
O Conhecimento = Verdade
Como demonstrado anteriormente, verificou-se a existência de um “conhecimento absoluto”, que existe independente do observador. Esse conhecimento, impossível ao homem obter, é a totalidade exata da realidade. Portanto, no que se refere ao “conhecimento absoluto”, pode-se afirmar sem sombra de dúvida, que conhecimento é igual a verdade. Conclui-se, portanto, que “conhecimento absoluto” e verdade são sinônimos.
Conhecimento ABSOLUTO é IGUAL a VERDADE
Processamento do conhecimento
Mas não bastasse a limitação do “conhecimento relativo” em função da perspectiva e dos métodos do observador, existe ainda uma camada adicional entre o conhecimento e a convicção. O conhecimento não é o único fator determinante na definição de uma convicção. Se não houvesse esta camada, poder-se-ia dizer que conhecimento é igual à convicção, mas isso foge do observado. O que se observa em muitas situações é a interpretação (leitura) de um mesmo “conhecimento relativo” de formas diferentes que resultam em convicções diversas.
Para ilustrar esta camada de forma mais evidente, considere a seguinte ilustração: dois observadores “A” e “B”, observam um mesmo objeto, neste caso um copo, com capacidade total de 300 ml, preenchido com a quantidade exata de 150 ml de água. Ambos observam de uma mesma perspectiva (lente), ambos “absorvem” exatamente o mesmo “conhecimento”. Diferente dos observadores do exemplo da “lua e da terra”, que recebem informações diferentes, estes agora, recebem exatamente a mesma informação.
Entretanto o conhecimento por si só não é nada. É necessário aos observadores processar o conhecimento adquirido. Assim o resultado natural deste processamento, ou como preferir, leitura, reflexão ou análise – que neste artigo são sinônimos – será uma convicção23. Assim a forma como cada observador analisa os dados recebidos, influenciará completa e distintamente o resultado deste processamento, e portanto a convicção de cada um. Para o observador “A”, o copo está “meio cheio”, enquanto para o observador “B”, o copo está “meio vazio”. Todas as afirmações fazem sentido e refletem a informação tal como ela foi absorvida por ambos, mas possuem sentidos opostos, convicções diferentes a respeito de um mesmo conhecimento. Neste caso, a lente pela qual é analisada uma mesma informação define a convicção. Portanto convicção é o resultado natural da reflexão/análise do conhecimento relativo em que se baseia. Thomas S. Kuhn confirmou este pensamento ao afirmar o seguinte:
O que um homem vê, depende tanto daquilo que ele olha como daquilo que sua experiência visual-conceitual prévia o ensinou a ver.” Thomas S. Kuhn, A estrutura das revoluções científicas
Em outras palavras, isto significa que se não em todos os casos, pelo menos na maioria, o ser humano enxergará um fato ou evidência da forma como ele quer ver, da forma como ele se condicionou a ver; e não necessariamente da forma que realmente é.

Um Castelo de Cartas
Definitivamente, parece vã a confiança depositada no conhecimento humano, sobretudo nos conceitos por eles extraídos, mesmo quando se dá o nome de ciência. De fato, meses depois, pode-se mudar por completo o que outrora acreditava-se como empírico. Mas a situação se agrava ainda mais quando se leva em consideração que muitos, inclusive cientistas, são levados a dar crédito a declarações e afirmações simplesmente por serem emitidas por pessoas de renome.
Existe um perigo real e invariavelmente ilógico, de se tomar uma afirmação de um cientista, como uma afirmação científica. Como John Lennox, matemático e professor da Universidade de Oxford afirmou: “a ilogicidade é disfarçada pelo fato de ter sido dita por um cientista. No debate contemporâneo existe o perigo muito real de confundir ‘enunciado [afirmação] de um cientista’, com um ‘enunciado [afirmação] científico’. Nem todo enunciado [afirmação] feito por um cientista é um ‘enunciado [afirmação] científico’. Por isso não tem a mesma autoridade que atribuímos à ciência em si. Um enorme prestígio e autoridade não justificam uma lógica falaciosa.”40. Não é por ser alguém de intelecto a declarar, que suas afirmações serão verdade. Opinião não é o mesmo que fato como declarou Daniel Patrick Moynihan: “Todo mundo tem direito à sua própria opinião, mas não aos seus próprios fatos”32. Contudo, mesmo que sejam de fato afirmações científicas, não significa que representem necessariamente a verdade/conhecimento absoluto, como já visto, mas apenas e provavelmente um conhecimento relativo, lido e refletido por uma estreita lente, que cedo ou tarde poderá se mostrar falho, e inevitavelmente abandonado, como relata a história.
Neste intervalo, inúmeras teorias mirabolantes formam-se no que não passa de mito, opiniões particulares de um cientista ou grupo de cientistas de prestígio. Muito do que hoje é considerado ciência nada mais é que um castelo de cartas frágeis tão bem posicionadas e equilibradas que passam uma falsa e intensa sensação de serem sólidas e confiáveis. Teorias baseadas em teorias e conceitos baseados em opinião. Por falta de bases verdadeiramente sólidas, cedo ou tarde o castelo de cartas virá ao chão.
A Insuficiência Humana
Não importa por onde eu comecei, pois para lá eu voltarei sempre.
Ao se referir à catástrofe de Vajont, o professor da University of East Anglia, David Petley, declarou a respeito da capacidade humana: “Vajont demonstra a estupidez do homem em seu fracasso em entender os sistemas naturais”41. Não há dúvida que as convicções humanas, mesmo aquelas que são tachadas factuais pela dita “ciência dominante”, são na verdade racionalizações individuais e controversas de um conhecimento puramente relativo e especulativo. Como na brincadeira “telefone sem fio”, o “ruído” e infinitas variáveis incidentes no inesgotável “conhecimento absoluto” até que seja, em parcela desprezível absorvida pela finita mente humana – se é que é absorvido – é demasiado forte e longo, destruindo a efêmera chance de que o conhecimento humano, bem como suas convicções sejam de fato o espelho da realidade.
Afinal, mesmo após séculos, o mundo continua o mesmo. O monopólio de um “pensamento dominante” que arbitrariamente e preconceituosamente discrimina, descarta, persegue e limita qualquer outro que se oponha424344, sem, contudo, deixar de ser, como muitos outros antes e muitos outros que virão, simples devaneios, ilusões de mentes limitadas que somente demonstram o conturbado mundo onde nada mudou, e onde a única certeza científica a que se pode chegar ainda é: “Penso, logo existo”, as palavras de Carlos Cony encerram poeticamente a triste realidade humana:
… No final da estrada estamos no mesmo ponto de onde saímos, no zero, no nada.
Referências
Bibliografia
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- DAVIES, Norman. Europe: A History. Oxford: Oxford University Press, 1996. ISBN 0-19-520912-5;
- RUSSELL, Jeffrey Burton. Inventing the Flat Earth-Columbus and Modern Historians. Westport, CT: Praeger, 1991. ISBN 0-275-95904-X;
- DESCARTES, René. Meditações Metafísicas. Tradução de Bento Prado Junior e J. Guinburg (Coleção Pensadores, Ed. Victor Civita, Abril Cultural, São Paulo, 1973);
- ROCHA, Ethel Menezes. Observações sobre a dúvida cartesiana;
- FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 3ª edição. 1ª impressão da Editora Positivo, revista e atualizada do Aurélio Século XXI, O Dicionário da Língua Portuguesa, contendo 435 mil verbetes, locuções e definições; Versão Digital Positivo.
- BORBA, Francisco da Silva. Dicionário UNESP do português contemporâneo. Editora UNESP, 2004. ISBN: 8-57-1395764-4;
- GEISLER, Norman. TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. Tradução Emison Justino. 2ª impressão. ISBN: 8-57-367928.
- MEDAWAR, Peter Brian. Conselhos a um jovem cientista.
-
Lindberg 2003, pp 8. ↩ ↩2 ↩3
-
Bishop, J (2006). Aquino sobre a Tortura New Blackfriars, 87:229. ↩
-
KIRSH, Jonathan. O Manual dos Grandes Inquisidores: Uma História de Terror em Nome de Deus. HarperOne. ISBN 0-06-081699-6 ↩
-
FINOCCHIARO, Maurice (2007) Repetindo Galileu. University of California Press. ↩
-
Papal Condenação (Sentença) do Galileu, em 1633. University of Missouri–Kansas City. (página em inglês). Página visitada em 11/04/2014. ↩
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SILVA, Rodrigo. Evidências: Galileu Galilei, o Cientista de DEUS. (página em português). Página visitada em 11/04/2014. ↩
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SILVA, Rodrigo. “EVIDÊNCIAS: A Idade das Trevas.” Parte 1 e Parte 2 (em português). Vídeos visitados em 15/04/2014. ↩
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Wikipedia. Idade Moderna (página em inglês). Página visitada em 15/03/2014. ↩
-
Equipe Brasil Escola, O conceito de Idade Média por de Demercino Júnior (página em português). Página visitada em 15/03/2014. ↩
-
Davies 1996, pp 291-293. ↩
-
Russell 1991, pp 49 a 58. ↩
-
AT VII, pp 21. Tradução alterada. Na tradução francesa do Duque de Luynes e, por conseguinte, na tradução para a língua portuguesa de Bento Prado Junior, na última frase dessa passagem citada é introduzido o verbo julgar. Na tradução francesa lê-se: “(…) ou que je juge de quelque chose encore plus facile, si l’n se peut imaginer rien de plus facile que cela?”. Na brasileira lê-se “ ou em que julgo alguma coisa ainda mais fácil, se é que se pode imaginar algo mais fácil do que isso?” No original em latim, esse termo não aparece. Tendo em vista que a argumentação aqui apresentada pretende mostrar que Descartes nessa passagem visa pôr em questão a legitimidade da operação puramente mental da abstração utilizando as matemáticas como exemplo, e tendo em vista que a operação mental abstrativa não envolve um juízo, preferimos manter os termos presentes no original. No original lê-se: “vel si quid aliud facilius fingi potest”. ↩ ↩2
-
Wikipédia. Dúvida hiperbólica (página em português). Página visitada em 07/02/2014. ↩
-
UOL. Pensador: Frases de Parmênides (página em português). Página visitada em 05/04/2014. ↩
-
Infoescola. Surgimento do Método Científico (página em português). Página visitada em 15/03/2014. ↩
-
Neste artigo, vamos tratar das palavras “crença” e talvez “fé”, em sentido absoluto, sem qualquer teor ou conotação religiosa. A palavra “crença” vem do latim “credentia” (Pronuncia-se /credência/, pela pronúncia tradicional do latim), do verbo “credere” (Pronuncia-se /crédere/, pela pronúncia tradicional), “crer”, que significa “aderir pela fé, ter a firme convicção, não ter a menor sombra de dúvida”. A crença indica a persuasão que se tem da verdade de algo. Assim, podemos dizer que temos crença no “mundo” extremamente pequeno e no “mundo” dos átomos e das partículas subatômicas. A palavra “crença” indica o convencimento fundado em algum motivo, em alguma coisa que é evidente ou não, mas com elementos que induzem-na como verdade…Cidade do Cérebro: Emotologia, Crença e Fé. ↩
-
Dicionário Aurélio. Convicção; Crença. ↩
-
Dicionário UNESP do português contemporâneo, Crença: pp 358; Convicção, pp 342. ↩
-
Wikicionário. Crença; Convicção. ↩
-
DPLP – Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Convicções. ↩
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Wikicionário. Opinião. ↩
-
BOUCHARDET, Roberta. A imaginação na Teoria da Mente segundo Hume: Uma análise a partir do Livro I do Tratado (página em português). Página visitada em 06/04/2014. (Entende-se “impressões” como a percepção do observador, portanto, “impressões” deve ser entendidas como conhecimento, o conhecimento absorvido pelo observador). ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Olavo de Carvalho. Crença e percepção (página em português). Página visitada em 28/02/2014. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
-
CURTIS, Gary N.. Falácias ↩
-
Unilever. Como se forma a personalidade (página em português). Página visitada em 28/02/2014. ↩
-
Wikipedia. Invariância de Galileu (página em inglês). Página visitada em 08/02/2014. ↩ ↩2
-
ROBERTS, Tom; SCHLEIF, Siegmar. (Outubro de 2007). “Qual é a base experimental da Relatividade Especial?” . Usenet Física FAQ . Retirado 2008/09/17 . ↩
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O Globo. Descoberta de par de estrelas reforça teoria da Relatividade de Einstein (página em português). Notícia de 26/04/2013. Página visitada em 08/02/2014. ↩
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Superinteressante. A Prova que Faltava (página em português). Página visitada em 08/02/2014. ↩
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TAYLOR, John. Elements of Metaphysics. Cambridge : Cambridge University Press, 1907. ↩
-
Tradução realizada pelo autor do artigo. ↩
-
Citado em Robert Sobel revisão ‘s de Past Imperfect: História De acordo com os filmes editados por Mark C. Carnes. ↩ ↩2
-
Terra. Existe um limite para a memória no cérebro? (página em português). Página visitada em 28/02/2014. ↩ ↩2
-
Raciocínio Cristão. O arquiteto da vida: Quanta informação o corpo humano possui? (página em português). Página visitada em 19/12/2014. ↩
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History Channel. Humanos estão ficando mais “burros”, indica polêmico estudo (em português). Página visitada em 11/02/2014. ↩
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MEDAWAR, Peter Brian. Conselhos a um jovem cientista. ↩
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Dicionário Aurélio. Verdade. (Destaques nossos). ↩
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Não tenho fé suficiente para ser ateu, capítulo 1. ↩
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The Temple of Reason (Deists ). Absolute truth (página em inglês). Página visitada em 08/02/2014. ↩
-
LENNOX, John. Análise do livro de Stephen Hawking (inglês). Página acessada em 01/08/2015. ↩
-
PETLEY, David. Professor da University of East Anglia. Frase traduzida pronunciada no episódio Tsunami nas Montanhas da série documentária Segundos Fatais da National Geographic Channel. ↩
-
Um exemplo claro é notadamente percebido na polêmica Evolucionismo vs Criacionismo, que é de maneira assombrosa considerada uma disputa entre Ciência e Religião. Mas na verdade, se todos os religiosos desaparecessem do mundo, ainda assim a polêmica existiria, porque a polêmica não está entre ciência e religião, mas entre cientistas e cientistas. A ciência não é um agente/personalidade autônoma que possa falar por si só, portanto quem define o que é ciência, é a unanimidade, única e exclusivamente através do “método científico”. E neste ponto, há cientistas sérios de ambos os lados, que defendem Evolucionismo ou o Criacionismo cientificamente como a forma mais adequada, lógica e acertada. Evidentemente, esta não é uma polêmica religiosa, mas acadêmica. Entretanto apenas um dos lados, o Evolucionismo, se autointitula científico e factual, quando de fato não o é, e está longe de ser um consenso. Ele ainda discrimina preconceituosamente a teoria oposta, ridicularizando e impedindo-a de ser exposta em meios acadêmicos. Conheça aqui cientistas que racionalmente defendem e apoiam o criacionismo. Veja também o programa “EVIDÊNCIAS: A história da Ciência moderna”, parte 1, parte 2 e parte 3, e também EVIDÊNCIAS – Como a vida começou?. ↩
-
BORGES, Michelson. O fórum cancelado e o preconceito contra criacionistas (português). Página acessada em 15/04/2014. ↩
-
BORGES, Michelson. Criacionistas sofrem censura em site científico (português). Página acessada em 15/04/2014. ↩